A Banana pretende comer o Macaco…

Pertenço a uma geração que foi educada a dizer “muito obrigada”, “por favor”, “com licença”, além de respeitar as pessoas, independentemente de classe social, cor, raça, credo, mas, principalmente, os mais velhos, professores, e aqueles superiores a mim no meu ambiente profissional.

Ultimamente o que venho observando é que alguns valores estão mudando. Por óbvio que ainda há exceções, graças a Deus, mas as pessoas não estão preocupadas em assumir suas responsabilidades. Além disso, o egoísmo se mostra como a nota fundamental das atitudes no convívio social.

O trânsito de São Paulo é um excelente laboratório para observar o que estou querendo dizer…as pessoas estão tentando fazer “justiça” (=aquela que lhes convém) com as próprias mãos!!!

Ontem mesmo uma amiga comentou comigo que ela cometeu um deslize no trânsito, pois precisava entrar em uma rua à esquerda e estava com o carro posicionado na faixa da direita. Ela ligou a seta, fez sinal para o carro que trafegava atrás dela, já se desculpando com um aceno, mas indicando que precisaria virar à esquerda. A mulher que dirigia o carro atrás do dela, simplesmente ficou furiosa, seguiu-a até quase o seu destino final. Quando ela me contou essa história, fiquei horrorizada…quem dirige sabe que as vezes erramos o caminho e que pedimos desculpas, enfim, coisas normais…Mas será que aquela mulher que a seguiu estava somente furiosa por conta do equívoco cometido pela minha amiga? Será que a atitude dela não foi, no mínimo, desproporcional ao suposto desconforto que a minha amiga causou a ela no trânsito?

Pois é, mas parece que as pessoas não estão querendo fazer o esforço de compreender as razões do outro…infelizmente…

Outro excelente laboratório é o ambiente de trabalho. Hoje em dia a maioria dos profissionais, principalmente os que estão no início da carreira, não está preocupada com a boa educação, com a dedicação e a responsabilidade que a vida profissional exige. Não é difícil verificar, por exemplo, a utilização do email e do programa de mensagens instantâneas corporativos para finalidades outras que não o trabalho.

Além disso, as constantes interrupções durante o horário de trabalho, sem solicitar a devida licença…os famosos, “com licença, posso te interromper um minuto?” ou ainda…”você está ocupada, posso te interromper?”…são atitudes educadas e cabem sempre, em qualquer circunstância profissional, independentemente da sua posição…

Outra atitude bastante comum é a do profissional que só reclama do excesso de trabalho, que diz que não tem tempo para estudar por culpa da empresa ou do “chefe”, que necessita trabalhar menos e ganhar mais, pois não está sendo “valorizado” ou “reconhecido”. Ou seja: o mundo conspira contra ele.

É claro que cada caso é um caso, mas é muito fácil transferir para o outro a responsabilidade que lhe pertence. Ao ingressar em um curso ou em uma universidade não é novidade para ninguém que o estudo irá demandar dedicação. Agora, o que acontece na maioria das vezes é que o estudante deixa para estudar as matérias na véspera da prova. Aí, não há milagre! É óbvio que a pessoa estará sobrecarregada…

Fato é que sem o esforço pessoal, via de regra, não há como ser bem sucedido profissionalmente. Aquele que apenas se lamenta e não se esforça para fazer a diferença no ambiente de trabalho, certamente não terá chances de crescimento. Eu sempre digo que devemos nos esforçar para benefício próprio. Além de aprendermos mais, há chances de sermos promovidos com maior facilidade. Ou ainda, há chances que outro profissional nos observe e nos convide para trabalhar em outro lugar. Por que não? Costumo dizer que tem sempre alguém “dobrando a esquina” e quando menos esperamos, somos compensados pelas boas atitudes de boa educação, dedicação, comprometimento e responsabilidade.

Não quero generalizar as situações, dizer que estou certa ou errada, e muito menos dizer que o segredo do sucesso residiria na constante resignação diante das adversidades da vida. Longe disso…apenas acredito que deve haver um mínimo de urbanidade no convívio social e que as pessoas devem ser responsáveis por suas atitudes.

Acredito que isso é maturidade: respeitar os outros e assumir as rédeas da sua vida. Assumir as consequências, boas ou ruins, das suas atitudes. é fato que não acertamos sempre, mas é o que podíamos fazer naquele momento. Agora, transferir a “culpa” dos nossos “desacertos” ou dos nossos desafios pessoais às outras pessoas é que faz com que a vida traga a sensação de que tudo está paralisado e que o mundo está “conspirando” contra.

A.D.

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A Educação manda lembranças…

Acredito que não sou a única pessoa que fica indignada com a falta de educação de alguns indivíduos que circulam pelas ruas todos os dias…

Quando penso que já vi de tudo, aparece um novo rebento para me surpreender.

No transporte público acho que é o “point” da falta de educação, pode ser metrô, trem ou busão… A falta de educação insiste em reinar…

Sempre tem aquela pessoa sem noção que quando você está na plataforma esperando o trem chegar, como quem não quer nada o ser chega e para na sua frente para embarcar primeiro. NA SUA FRENTE! Não está nem aí se você chegou antes… E ainda por cima faz cara de paisagem, NA SUA FRENTE! A vontade é dar um pescotapa com toda a força possível e jogar o maledeto no vão, mas a gente que tem educação respira fundo e conta até 1.000.

Como se não bastasse, apesar do vagão estar lotado, as pessoas não entendem a frase “NA IMPOSSIBILIDADE DE EMBARCAR AGUARDE O PRÓXIMO TREM” e tentam realizar o sonho de estar em um show de rock e se jogar na multidão, aí a pessoa sai correndo e se joga pra dentro do vagão – também gosto quando a pessoa coloca a mão na parede de dentro do vagão pra dar aquele impulso esmagador.

Depois que já estamos previamente enlatados e passamos pela fase de ajuste de carga – quando o metroviário dá aquela freada brusca que ninguém cai porque essa possibilidade não existe, já que a lei da física de que dois corpos não ocupam um mesmo lugar, infelizmente, não se aplica dentro do transporte público – chega a hora mais difícil, SAIR DO VAGÃO.

Outra expressão que muitos não estão familiarizados é: “COM LICENÇA”, porque você pede, chora, grita, esperneia, tira a calcinha pelo pescoço, mas nada

faz com que o ser se mova… Ai você vai aos poucos tentando sair e quando consegue sai que nem uma rolha de champagne num estalo à gás – PLOC!

Pelo menos você está livre! E isso se repete TODO SANTO DIA!

Outra situação que me emociona é ir ao supermercado. Em primeiro lugar eu acho que só pessoas previamente habilitadas poderiam andar em posse de um carrinho, porque algumas pessoas largam o carrinho em qualquer lugar e não se importam se estão atrapalhando, jogam o carrinho na sua frente do nada, quase atropelam várias pessoas, sem contar aqueles que andam em alta velocidade. #MEDO!

E, todos nós, em algum momento, pegamos fila para alguma coisa – carregar bilhete único, banco, mercado, seja onde for – sempre tem alguém que não sabe respeitar a “zona de conforto” de cada pessoa e para no seu cangote e ainda fica te cafungando! DELÍCIA!

Não vou falar de todos os casos de falta de educação se não vou escrever pra sempre, mas tirando esses ainda existem uns clássicos, como:

– Atendentes mal humorados – ninguém tem nada a ver com seus problemas pessoais, seja educado comigo porque eu sou com você!

– A dormidinha no assento preferencial para não dar o lugar para quem precisa – essa é uma das campeãs.

– Jogar lixo no chão – irrita mais ainda quando a pessoa está a dois passos de uma lata de lixo, mas tem a cara de pau de jogar no chão.

– Liga a seta do carro (ou não) e se joga instantaneamente pra pista do lado sem olhar se tem alguém!

– Você está no limite de velocidade, mas a pessoa do carro atrás fica te bulinando com o carro grudado na sua traseira.

– Estacionamento de shopping (ou outro lugar) – você está a cerca de 10 horas esperando a vaga, quando alguém sai, chega um espertão DEITANDO O CABELO (para quem não sabe significa correndo, porque quando a gente corre o cabelo deita) e se joga na vaga como se tudo estivesse normal!!!

Entre outros…

E a educação???

MANDA LEMBRANÇAS!

Marcella

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To be continued…

“Não quero mais ir, vou ficar em casa, a minha vida é horrível, não quero ver gente…dá um jeito de vender o meu convite, por favor!”. Ela está no trabalho, entra no MSN, no facebook, no twitter e em todas as redes sociais possíveis e imagináveis para tentar vender o maldito convite.

Toca o celular e no meio de milhões de coisas para fazer no trabalho ela atende, com aquele humor que lhe é peculiar, já avisando que pode falar “mas BEM RÁPIDO!”. Do outro lado da linha, uma voz feminina histérica grita:

– “VOCÊ NÃO SABE QUEM ESTÁ AQUI E VAI HOJE NA FESTA?!?!”

– “Não faço a menor idéia e nem tô interessada, quero vender o meu convite, você sabe de alguém que queira comprar?”

– “O Rafael vai! Você acredita? E Você também vai, eu não quero nem saber, vocês têm que se encontrar!”

Então ela começa a relembrar daquela época, eles se apaixonaram sim, talvez mais ele do que ela, mas ela tinha consciência de que ele era uma das melhores pessoas que já havia conhecido, engraçado, inteligente, daqueles que você passa horas no boteco, bebendo cerveja, rindo a noite toda e o papo não acaba. Só que moravam a 600km de distância e quando se é mais jovem e se convive com tudo novo, é difícil se “prender” a alguém….

Milhões de coisas passaram pela sua cabeça: ”E se tivéssemos ficado juntos, será que teria dado certo?”, “E se eu não tivesse me deslumbrado com a vida de aborrescente-independente da época?”, “A gente tinha uma música!”, “Ele passava em casa pra me buscar nos finais de semana tremendo de nervoso e eu lembro que ele tinha uma fita no carro e gostava de ouvir e cantar “Chão de Giz”…”, “Por que eu fiz aquilo? Foi tão infantil da minha parte…”, “Ele tem raivinha de mim até hoje..talvez orgulho ferido, sei lá!”.  Se eles teriam dado certo? Isso ela não saberia responder….

O  fato é, ela chegou em casa e a idéia de vender o convite havia desaparecido completamente, tinha curiosidade de vê-lo depois de tantos anos. Por mais que quisesse negar, vestiu o seu melhor “modelito”, fez babyliss no cabelo e saiu.

O lugar era imenso e talvez não se encontrassem, já tinha até desistido da idéia, quando no meio da multidão, ela esbarra sem querer, justo nele, claro – “Até que o tempo lhe foi generoso”, pensou tentando não parecer tão empolgada com a situação. Em contrapartida, ele parecia que havia visto um fantasma, ficou completamente sem jeito, sem saber o que dizer, parecia que o tempo não havia passado. Ficaram a noite toda trocando olhares e conversando tímidos, feito dois adolescentes e ela que sempre diz “adorar um romance”, achou aquilo a coisa mais divertida do mundo!

O fim de semana passou e logo no início da semana seguinte ele tentou contato, e foi assim que voltaram a se falar, depois de tantos anos afastados, e ele voltou a fazer parte da vida dela, depois de todo aquele tempo que ficaram sem ter notícias um do outro….

 Se eles ficaram juntos no final? Não gente, aqui não é a estorinha da Bela Adormecida que casa com o príncipe e vivem felizes para sempre…além do que, é baseada em fatos reais, mudei os nomes e locais para preservar a identidade dos envolvidos. Mas cá entre nós, eu torço para que o melhor aconteça, pois adoro os tais “finais felizes”….vocês não?!?!

 @analicebm

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Final feliz

Teresa é espanhola, mas em razão da profissão de seu pai, que é diplomata, morou em várias cidades do mundo. Ela diz que a melhor cidade para morar é Lisboa porque lá todos os dias são ensolarados. Além de detestar chuva, ela acredita que as pessoas são mais felizes quando veem e sentem o sol diariamente.

Lisboa é a cidade preferida até mesmo em comparação à romântica Paris. Depois de viver por lá durante os anos que cursou a faculdade, Teresa chegou à conclusão que em Paris o custo de vida é alto, as pessoas não são muito amistosas, além de chover constantemente. Quando a questionam sobre Paris, ela responde: “Paris é divina para o turismo, não para morar”. Pois bem, Lisboa foi o seu endereço por cinco anos após a conclusão do curso de Administração de Empresas. Foi lá que iniciou sua carreira em uma Multinacional, e cursou especialização.

Um dia, seu chefe a chamou para uma reunião para anunciar sua promoção. Teresa ficou radiante e surpresa com a rapidez da ascensão profissional, aos vinte e oito anos de idade. O Presidente da empresa foi pessoalmente comunicá-la que ela teria sido designada a assumir a Diretoria de Marketing de uma das filiais em São Paulo.

Sua primeira reação foi perguntar a ele se os dias eram tão ensolarados em São Paulo quanto em Lisboa. O Presidente sorriu e disse que em São Paulo ela viveria os dias cinzas mais azuis de sua vida…ela não poderia prever naquele momento, que isso seria verdade…

Teresa chegou ao Brasil na semana do carnaval de 2007. Chovia muito em São Paulo, mas Teresa não teve tempo para notar…

Como Teresa não tinha parentes e amigos no Brasil, os colegas de trabalho trataram de acolhê-la e inseri-la na programação organizada para o feriado de carnaval. Na sexta-feira, após a festa para oficializar as boas vindas, organizada pela empresa, resolveram levar Teresa para conhecer o desfile das escolas de samba.

Chegando ao sambódromo, Teresa começou a sentir um desconforto, uma queimação no estômago…era intoxicação alimentar…Como não queria estragar o programa organizado pelos novos amigos, procurou a enfermaria do Sambódromo.

A médica que a atendeu perguntou se ela havia ingerido alguma bebida alcoólica. Ela explicou o que estava acontecendo e foi medicada. O remédio provocou uma reação alérgica no seu rosto. Começou a ficar com edemas…outro médico prontamente a atendeu e medicou-a novamente. Embora Teresa já houvesse passado os dados pessoais (nome e telefone) para a primeira médica, Ele, o médico, pediu novamente os mesmos dados. E justificou: “A legislação brasileira exige que todos os médicos façam o cadastro dos pacientes atendidos e telefonem a eles dias depois para saberem sobre os resultados dos procedimentos adotados.” Ela não hesitou e passou novamente os dados a ele.

Na quarta-feira de cinzas, com a desculpa de “cumprir os procedimentos” ele telefonou a ela para saber se estava melhor. Na quinta-feira, ele a convidou para jantar. Na sexta-feira ele a convidou para passarem o final de semana juntos na praia….e assim eles continuaram, durante meses, até que se casaram e hoje têm dois filhos lindos!

Ela se diverte sempre que conta a história…ela mesmo diz que foi assistir o carnaval no sambódromo, em sua versão piorada…com intoxicação e edemas no rosto…e mesmo assim, encontrou o amor da sua vida!

Hoje, Teresa não troca a cinza São Paulo por nenhuma outra cidade do mundo….nem mesmo pela bela Lisboa.

A.D.

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O Começo do Fim

Parece que foi ontem que começou a faculdade… Onde tudo era novidade, a sala era lotada, tudo era festa, a matéria era fácil, as responsabilidades eram menores, assim como as preocupações com o futuro.

Primeiro ano parecia mais colegial do que outra coisa, levando em consideração as aulas, conteúdos, clima e as pessoas em si.

Mas o tempo foi passando, e, diga-se de passagem, passando muito rápido…

As responsabilidades aumentando a cada dia e a sala ficando cada vez mais vazia (alguns desistem, outros mudam de horário e outros mudam de faculdade).

Até que percebemos que temos que fazer horas complementares, estágio supervisionado, entregar milhares de trabalho, estudar para provas, aula de sábado (AFF!) e agora no último ano ele… O mais temido e que toma tempo: o famoso TCC!

Primeiro rola a dificuldade de saber o que vamos falar no TCC, passam mil idéias na cabeça e no começo nenhuma parece boa. Começa aquela sensação de desespero porque parece que nunca vamos achar o tema ideal e talvez o escolhido no fim não seja o ideal, mas é o que tem pra hoje.

Depois de escolhido o tema, começa a saga: LEITURA, LEITURA, LEITURA. Vamos entender TUDO do tema. E por onde começar a escrever?

No começo eu me sentia totalmente perdida, não sabia por onde começar, qual estrutura montar… Até que as coisas começaram a se encaixar e o TCC começou a andar… Graças a Deus!

Até o momento estou satisfeita! Ainda bem, porque quando a gente tem que fazer alguma coisa que a gente não gosta, querendo ou não, fica muito mais difícil.

Mas e agora?

Vou me formar…

Acredito que ninguém é a mesma pessoa que entrou na faculdade. Sonhos, atitudes, sentimentos, maturidade, independência… Tudo mudou!

Para melhor ou pior? Cabe a nos avaliarmos como foi o decorrer dessa caminhada… Que apesar de parecer rápida foi cansativa… Mas ninguém disse que estudar é fácil! [Tudo bem que tem gente que vai se formar e não fez nada durante os 4 anos, mas isso não vem ao caso!]

Será que eu aprendi tudo que eu precisava? Será que eu fiz valer a pena esses 4 anos da minha vida?

E as amizades? Muitas já se perderam durante o curso… Outras ainda sobrevivem… E algumas eu espero que durem para sempre!

É tempo de mudanças… Iniciou-se o encerramento de um ciclo de vida… Resta me preparar para o futuro e batalhar para novas conquistas!

Porque o começo do fim é agora!

E o começo de algo novo está por vir…

Marcella

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situações constrangedoras

Eu sempre sento em corredores, seja avião, ônibus ou trem (nunca viajei de trem, mas a premissa continua valendo). Tenho perna comprida, é mais fácil se eu quiser “dar um rolê” (detesto gírias, mas enfim, estou me permitindo). Em uma das minhas últimas viagens, avião cheio, todos esbaforidos, pessoas com malas de mão que parecem pesar 50 quilos e não 5, enfim, nada novo. Fui uma das últimas a subir, como sempre, vi que mais ninguém viria, relaxei. Até que vi uma mulher de uns 150 quilos entrando toda suada, correndo, pizza, suada, carregando 3 malas, suada, quando já estava tudo pronto. E ela entrou toda sorridente, suada, perguntando pra atendente pra onde ela iria. Não ouvi a resposta e inventei a pergunta, mas ela veio vindo. Veio vindo, suada, em câmera lenta, EM MINHA DIREÇÃO. Nesta hora comecei a orar aos deuses do oráculo, prometi cortar o cabelo caso ela não se sentasse ao meu lado. Pensei em fingir dormir, pensei em ter um ataque catatônico, pensei em começar a soltar pum… Bom, ela se sentou ao meu lado. E sim, também sou gorda! E sim, eu fiz isto.

Estava na academia (que tenho frequentado pouco devido a uma dor nas costas) e vi uma menina lá que era minha colega. Poxa, não a via há tempos. Ela é um palito sabe? Isto irrita muito, mas percebi uma barriga BEM saliente. E ela era um palito né. Daí eu fui toda simpática em direção a ela e perguntei: AMIGA, VOCÊ CONSEGUIU FINALMENTE ENGRAVIDAR? Não, ela não estava grávida. E eu fiz isto.

Sai com amigos e tinha uns lá que eu não conhecia. Dai começamos a falar de amigos em comum né, normal isto. Dai falei que tinha visto fulano com a outra sicrana na rua, abraçados, se beijando, até parei para conversar e tals. A menina para quem eu contava a estória era namorada do fulano. Ela não sabia da estória. E eu contei isto.

Uma vez combinei de sair com amigas pra fofocar, só que um povinho que eu não gostava também foi convidado. Inventei uma estória e fui, com outro amigo, a outro local. Adivinha quem tinha ido lá? Sim, as amigas iniciais do texto. E meu álibi (e credibilidade) foi para o saco aquele dia. Sim, aconteceu isto.

Já xinguei uma pessoa e ela era mãe da minha ouvinte. Já fique horas com um possível paquera e só percebi que tinha rúcula no dente quando cheguei em casa, já fiquei com o desodorante vencido sem poder fazer nada, já tive diarréia em banheiros químicos, já comi um prato de comida para só ver o cabelo me olhando no meio do molho na última garfada, já comentei de um paquera pra namorada dele. Sim, fiz tudo isto!

Estas estórias aconteceram, com leves adaptações para os estômagos menos favorecidos. O créme de la créme guardei para o final: vi uma amiga de costas, ao longe (não me pergunte como a reconheci de costas, ao longe, no meio do povaréu). Cheguei de mansinho e a abracei – ABRACEI – com tudo dizendo: amigaaaa, que saudades! Ela se virou…

… … …

Sim, eu não a conhecia!

Eu tenho conserto?

Miranda Oprah Priestley

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Ganhei um PLUTO de presente…

No meu 31º aniversário eu estava namorando. Quase tudo andava bem, exceto o fato de eu ter ganhado Dele, um PLUTO de presente!!! Sim, meus Queridos, um P-L-U-T-O!!! Aquele mesmo, da Disney…de pelúcia…

Quem me conhece simplesmente SABE que eu detestaria ganhar um PLUTO de presente. Nada contra o PLUTO, o Mickey Mouse, a Disney…igualmente nada contra aqueles que gostam do PLUTO. Eu não gosto, tampouco desgosto da figura do PLUTO. O fato é que este seria o último presente que eu esperaria ganhar de um namorado, ainda mais no dia do meu TRIGÉSIMO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO!!!

Eu até fiquei resgatando da memória, por alguns instantes, para ver se a gente tinha inventado alguma fantasia com o PLUTO, ou com algum outro personagem de desenho animado. Sei lá, de repente o cara se empolgou e resolveu ousar…mas não: simplesmente Ele resolveu me dar o PLUTO: de graça!

Eu não preciso dizer a vocês que a minha cara foi de extrema decepção quando vi aquele monte de espuma saindo do embrulho de presente. Educadamente, eu disse que iria guardar o PLUTO e Ele brincou que era para eu ficar abraçada com o PLUTO na ausência Dele…cada doido com a sua mania…

No dia seguinte liguei para uma Amiga pra contar. Gente, juro, eu não conseguia falar! Eu ria compulsivamente! Por achar engraçado, por decepção, uma confusão de sentimentos. Eu dizia: “Amiga, por que ele me deu um P-L-U-T-O? O que eu vou fazer com a p. do P-L-U-T-O?” A minha amiga desligou o telefone na minha cara porque ela disse que estava quase fazendo xixi nas calças de tanto rir! A gente pensou em tudo…queríamos encontrar um motivo qualquer pra justificar aquele presente…em vão…

Por óbvio que esse relacionamento não foi pra frente. Terminamos por outros motivos, o PLUTO foi parar no lixo, mas o episódio me fez refletir sobre algumas coisas.

Desde criança eu escuto da minha mãe: “Filha, depender financeiramente de homem é uma merda!” Amigadonadoblog, posso escrever merda aqui? Bom, se não puder depois você me avisa…”Filha, estude, tenha sua profissão, e não dependa financeiramente de homem. É uma merda!”. O discurso me perseguiu por anos, feito um “mantra”! Estudei, trabalhei feito uma louca. Desde cedo trabalho, pago minhas contas e sempre bati no peito pra falar que não dependo financeiramente de homem algum…nunca gostei que um homem pagasse qualquer coisa pra mim. Nadinha!

Aí, meus caros, a vida é sábia…meu primeiro namorado era um baita de um pão-duro. Ganhava seis vezes o meu salário da época e nós dividíamos tudo! No meu primeiro aniversário que passamos juntos, ele não me deu presente. Isso porque ele não conhecia a minha mãe e o “mantra”. Fiquei chateada. Não pelo valor do presente, mas pela falta de sentimento…Ele não deu sequer um cartão…mas o meu discurso continuava: se estou com Ele, não é por cauda do dinheiro. Eu não dependo financeiramente de homem!

No primeiro Natal, ele me mandou um cartão…pela internet…é isso mesmo! Aqueles gratuitos…tinha até animação imitando neve caindo….sensacional! E meu discurso continuava…Outros aniversários passaram…e nada…em um outro Natal, ele me deu um panetone! Sério,um PANETONE, comprado em supermercado!!! No ano seguinte ele me deu DOIS PANETONES!!! Quando eu cheguei em casa meu pai disse: “Agora sim, Filha! Você é realmente importante pra ele! Dois Panetones!!!”

Anos depois, aconteceu o episódio do PLUTO…

São histórias que parecem brincadeira e divertem meus amigos na mesa de bar, mas o fato é que elas me levaram a uma série de reflexões quanto ao que desejo pra mim. O que teria me levado a atrair homens que me dão a importância de um impessoal panetone, ou de um infantil PLUTO?

A resposta eu já encontrei, aprendi a relativizar o “mantra”, e espero nunca mais repetir o padrão!

A.D.

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